Alerj dever ser palco de novas tensões e prisões

É detalhada a denúncia do Ministério Público Federal que deflagou a Operação Furna da Onça na quinta-feira (8), na capital do estado do Rio de Janeiro e no interior .

A operação investiga a participação de deputados estaduais em esquema de corrupção, lavagem de dinheiro, loteamento de cargos públicos e preenchimento de vagas em empresas terceirizadas.

Interceptações telefônicas, documentos e mídias apreendidas reforçam a denúncia de que parlamentares recebiam propina para garantir governabilidade no Estado, além de utilizar estruturas do governo como feudo eleitoral.

Foram sete mandados de prisão preventiva contra parlamentares. São eles: sete deputados estaduais com prisão decretada nesta quinta-feira: André Correa (DEM), Chiquinho da Mangueira (PSC), Coronel Jairo (MDB), Luiz Martins (PDT), Marcelo Simão (PP), Marcos Abrahão (Avante) e Marcus Vinícius “Neskau” (PTB).

ADVOGADO DIZ QUE EX-PRESIDENTE E PRESIDENTE DO DETRAN ESTAVAM MORALIZANDO A AUTARQUIA

O advogado criminalista Fernando Augusto Fernandes afirmou na quinta-feira (8) que as prisões temporárias do ex-presidente do Detran-RJ, Vinicius Farah e do atual presidente Leonardo Jacob ocorreu sem fundamento, “em razão da proibição da condução coercitiva”.

Farah e Jacob foram presos pela Polícia Federal no âmbito da Operação Furna da Onça, que apura a atuação do núcleo parlamentar supostamente organizado na Assembleia Legislativa (Alerj) para garantir sustentação ao esquema de corrupção no governo Sérgio Cabral. Esta nova etapa da Lava Jato no Estado é um desdobramento das Operação Quinto do Ouro, Cadeia Velha e Calicute.

O núcleo, segundo denúncia do Ministério Público Federal (MPF), era mantido com repasses de dinheiro, o mensalinho, e loteamento de cargos na estrutura do governo do Estado, principalmente no Detran, autarquia que mantém contratos com empresas terceirizadas.

Fernandes destaca que na gestão dos dois clientes, a autarquia criou mecanismos para coibir condutas ilícitas. “Foi criado o programa “Detran Conduta”, que fez convênio com Ministério Público Estadual para coibir práticas ilegais. Foram realizadas ações e intervenções com a Corregedoria e Ouvidoria, promovendo afastamentos de servidores e prisões. O trabalho realizado estava mudando o Detran”, esclareceu o advogado por meio de mensagem.

O MPF alega que as vagas de servidores na autarquia e nos postos de vistorias, por meio de empresas terceirizadas, entre elas a Prol/Facility, eram preenchidas por meio de indicação de deputados que compunham o núcleo parlamentar do esquema criminoso no Estado.

“O presidente do Detran não nomeia servidores. As nomeações são indicadas pelas respectivas diretorias, verificando na Corregedoria a aptidão do servidor. A nomeação é realizada pela Casa Civil”, afirma.

Fernando Fernandes também assegura que Farah não foi nomeado por indicação do  deputado Paulo Melo, indiciado na Operação Cadeia Velha, “mas escolha direta do Governador”.

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